
Falei do Fred e me lembrei de uma coisa esquisita que aconteceu quando o conheci.
Era uma noite soturna em Mosqueiro, iniciozinho de julho. Eu, Omar, Nélio e Alfredo viajamos para a ilha antes de todos, mas a luz do velho casarão da 3ª rua havia sido cortada. Confesso que não tivemos brio suficiente para enfrentar aquela imensidão de madeira em tamanha escuridão. Omar sugeriu irmos até a casa de um amigo dele, na estrada do hospital.
Fred morava já próximo à Praia Grande e sua casa era bem menor que a nossa – o que naquelas alturas era um incentivo a mais. Como nós, ele viera na frente da família, estava só e por isso não teve problema nenhum em nos acolher. Papo vai, papo vem, lá pelas 02h30 a mãe do anfitrião chega de Belém sem aviso. Nem esperamos a esculhambação acabar, voltamos a pé com redes e lençóis debaixo do braço.
Ríamos do ocorrido quando uma ventania apareceu, assim, do nada. Achamos esquisito, mas o medo só tomou as rédeas quando percebemos que o vento nos acompanhava, uivando e balançando a copa das árvores ao nosso lado – as que ficavam pra trás, misteriosamente, paravam de se mexer.
Chegamos lívidos no velho casarão, mas resolvemos não entrar. Subimos a escada e ficamos os quatro na varanda, tentando entender o que acontecera. Foi quando Omar (o mais apavorado dos três, que jurava ter visto algo se balançando nas árvores) apontou para um grande bacurizeiro que havia nos fundos da casa. – Ali, vocês estão vendo? Tem algo naquele galho mais grosso, lá no alto! - Não sei se algum de nós realmente viu o que Omar jurava estar olhando pra gente. Tão rápidos como a própria ventania, entramos na sala, trancamos tudo, armamos as redes bem próximas e dormimos em, no máximo, cinco minutos.
Não lembro de ninguém ter reclamado da escuridão.




