28 fevereiro, 2006

vento do cão



Falei do Fred e me lembrei de uma coisa esquisita que aconteceu quando o conheci.
Era uma noite soturna em Mosqueiro, iniciozinho de julho. Eu, Omar, Nélio e Alfredo viajamos para a ilha antes de todos, mas a luz do velho casarão da 3ª rua havia sido cortada. Confesso que não tivemos brio suficiente para enfrentar aquela imensidão de madeira em tamanha escuridão. Omar sugeriu irmos até a casa de um amigo dele, na estrada do hospital.
Fred morava já próximo à Praia Grande e sua casa era bem menor que a nossa – o que naquelas alturas era um incentivo a mais. Como nós, ele viera na frente da família, estava só e por isso não teve problema nenhum em nos acolher. Papo vai, papo vem, lá pelas 02h30 a mãe do anfitrião chega de Belém sem aviso. Nem esperamos a esculhambação acabar, voltamos a pé com redes e lençóis debaixo do braço.
Ríamos do ocorrido quando uma ventania apareceu, assim, do nada. Achamos esquisito, mas o medo só tomou as rédeas quando percebemos que o vento nos acompanhava, uivando e balançando a copa das árvores ao nosso lado – as que ficavam pra trás, misteriosamente, paravam de se mexer.
Chegamos lívidos no velho casarão, mas resolvemos não entrar. Subimos a escada e ficamos os quatro na varanda, tentando entender o que acontecera. Foi quando Omar (o mais apavorado dos três, que jurava ter visto algo se balançando nas árvores) apontou para um grande bacurizeiro que havia nos fundos da casa. – Ali, vocês estão vendo? Tem algo naquele galho mais grosso, lá no alto! - Não sei se algum de nós realmente viu o que Omar jurava estar olhando pra gente. Tão rápidos como a própria ventania, entramos na sala, trancamos tudo, armamos as redes bem próximas e dormimos em, no máximo, cinco minutos.

Não lembro de ninguém ter reclamado da escuridão.

27 fevereiro, 2006

fredfrog

Enquanto escrevo escuto Vienna, na voz “eltonjonada” de Billy Joel. Sem quê nem pra quê lembro de um cara que conheci há milênios atrás. Fred. Não convivemos muito mais que alguns dias, mas não pude esquecer algo estranho que ele sabia fazer com as mãos. Os dedos mexiam-se de uma maneira esquisita, pareciam moles como os de um réptil. Todos ficavam repugnados ao ver, mas sempre pediam pra ele repetir o freak show.

A música é realmente uma poderosa condutora de imagens.
Por onde andará o velho FredFrog?

Saltitando, quem sabe, de um lado para outro nesse vácuo de tempo desde que apertamos as mãos (argh!) pela última vez.

Nota: Fred tocava flauta como ninguém, provavelmente devido às propriedades esquisitas de suas mãos. Lembro de uma melodia que ele costumava soprar, algo medieval, antigo... Bem bacana.

port d'Arthur



"Na curva do Porto Artur/ O sol, um rio/ Um fio de memória branca/ A criança vai sorrir.
E vão tantas luas/ Demais tanto arder/ Sobe e desce a rua/ De meu bem querer.
Na senda das horas/ Te vi tão fugaz/ Um mito na tarde/ Mil anos atrás.

Olhe, já sinto a brisa do amanhã/ E é sonho o que vejo ao céu do entardecer/ Teu beijo é travoso/ É vício de se perder.
Um beijo na chuva/ É tanto prazer!/ O “gosto” na curva...
(Lembranças do Porto Arthur ao anoitecer)

Tão bela menina/ Me diga aonde eu vou...
Vivi nos teus olhos/ A vida que vi/ Memórias de um cego/ Do amor aprendiz."


A. Ramôa | 1998.
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26 fevereiro, 2006

the diving love



"Oh, can't you see falling angels in the sky? Can't you perceive the diving love in our room? What's up with your new sunrise? I can feel it's not mine anymore... I've been in silence such a long time, and so far away - just by your side!"
Pinheiro, Saldanha & Ramôa - 1998. Marudá-PA. Posted by Picasa

05 fevereiro, 2006

uma das primeiras canções













"Great time don't have lazy nights,
You search for your way through night and day.
Your mind is lost, oh, frozen heart!
My life is unfaith, but those are miraculous days"

04 fevereiro, 2006

the oldest song



Este blog contém ar, o já inspirado há muito. Contém o ontem, o deixado pra trás (não totalmente). O esforço de um crescer sozinho. A infância de filho único de avós que eram também pais - mas que eram avós e por isso se foram cedo. A adolescência das certezas vitimadas de menino e toda uma jornada sem fronteiras tão certas como antes, que já não permite antever o próximo passo.
A velhice, por sorte. Ou a morte, por... sorte?