
Ainda hoje, quando ouço seu timbre maravilhosamente rasgado (atitude e emoção alguns decibéis acima do tom monótono das rádios), tenho essa certeza serena.
Lembro bem daquele mês de dezembro, dias cinzas em Belém, chuvas intermitentes. Ouvi pelo rádio, eu acho. Ou alguém teria ligado para dar a péssima notícia? Já não sei dizer. O fato é que ela se foi no auge, como só os melhores sabem fazer. Não devia, mas foi. Fazer o quê?
A conta está menor para nós, que ficamos, pois - parafraseando Elton John em Empty Garden, feita para John Lennon - um talento como o de Cássia ninguém consegue substituir.
Abaixo, Dezembro, canção que escrevi no dia em que soube da morte dela.
Lembro que vi você por aí
A idade mais tardia que a memória
Voltavas de uma festa de arromba
Vinho branco misturado aos teus passos
Rodopiantes, tão delirantes...
Vestido solto ao vento no dia que amanhecia.
Dezembro, eu sei
É sempre tão estranho
Festas e sorrisos tradicionais
Costumavas me esperar
Pois nada era mais importante.
E agora há tanta cor desperdiçada
Enquanto escorre o tempo
Mas por mais que o Sol se esconda
Nessa longa estrada
Sigo em frente, assim
A mente segue contra o tempo a te encontrar
Pois nada era mais importante.
Dezembro, eu sei...
A. Ramôa
Dezembro, 2001. Belém-PA.
Um comentário:
Sem dúvida, a melhor.
E como todos os melhores, ela foi na melhor hora.
Ou na pior, a gente não tem como saber.
Legal a música, tio Alexandre!
Nunca publicou ou tentou vender, não?
Tá perdendo tempo.
Em breve, coisas novas no Blogão.
;D
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