Como é mesmo o nome daquele prédio ao lado do Theatro da Paz, na Assis de Vasconcelos? É o único por ali...
Bem, o fato é que lá morou a Elita, primeira pessoa que conheci com esse nome. Nome legal. Pessoa mais legal ainda.
Acho que a Elita era a saída pra quando tudo dava errado naquelas tardes onde a gente ficava que nem mosca de lixão, zanzando, zanzando, sem saber bem onde pousar. Devia ter não mais que 19, idade média de todos naquela época.
Éramos amigos e assíduos freqüentadores do ap da Elita: Carlinhos, eu, Alfredo, Nélio, Omar, Nicolau, Érico, Vivian e outros demais não tão frequentes. Vez ou outra, as duas meninas, inseparáveis, apareciam num ensaio da banda na casa do Carlinhos. Ficavam no sofá da sala, esperando a gente acabar com as discussões de praxe para decidir o que tocar (nesses dias as discussões eram breves, pq sacávamos logo do repertório minguado as duas ou três músicas que errávamos menos e, portanto, causavam melhor impressão).
Mas, em geral, nas manhãs de domingo nos reuníamos nos bancos do hall do prédio da Elita, após as sagradas voltas na Praça da República e depois de ver as mesmas figuras de sempre e falar dos últimos shows de Rock na cidade (assunto incansável naqueles inícios dos 90).
Às vezes almoçávamos lá. Ela descia com umas marmitinhas de plástico coloridas e cheias de miojo, que nunca foi tão gostoso.
Domingo era sagrado, mas não tínhamos hora certa para aparecer. Uma noite cheguei sozinho no ap da Elita e o porteiro, que já era camarada, me disse para ir até o hall que ela já estava lá com o Carlinhos. Encontrei-os aos beijos no banco. Constrangimento total. Depois foi a vez do Érico se enroscar com a Vivian. O primeiro relacionamento durou mais.
No início, os affairs não mudaram muito a rotina da turma, mas logo vieram as brigas dos casais: Elita chorando, Vivian xingando, e a gente tendo que voar para outros destinos menos conturbados nas manhãs de domingo.
Elita vivia dizendo que iria morar em Fortaleza e, depois de várias ameaças inócuas, um dia fiquei sabendo que ia mesmo. Nessa época já não nos víamos tanto, mas eu sempre a tive como uma das melhores pessoas que convivi naqueles tempos. Amiga prestativa, carinhosa e sem frescura. Nossos domingos não foram mais os mesmos sem ela.
Mas o tempo passa and people change. A Vivian ainda encontrei algumas vezes, mas não demorou muito para que nos víssemos como estranhos. Também já passei pelo prédio inúmeras vezes e fingi indiferença ao fato de que ali tive um refúgio importante naqueles dias bacanas de minha vida.
Ah, vida... Tantas despedidas! Encontros e desencontros.
Por onde andará a saudosa Elita?
Reminiscências, memórias, recordações, lembranças, evocações, imagens, fragmentos, evidências, fundamentos, experiências, passado, ocorrências, história, vivências...
18 novembro, 2006
o prédio da Elita
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